quarta-feira, 4 de abril de 2012


- meu demónio de asas brancas..
sabes que foram noites perdidas, curvas escondidas, dias que nem cheguei a ver..  tu acorrentaste-me, levaste-me ao céu e conseguiste me ter. contigo fui a mil terras e mundos. tanto vimos topos de tudo, como fomos um nada nos fundos. conquistámos universos, vivemos nas estrelas. fomos a lugares daqui dispersos, lutámos por tê-las. tanto alcançávamos o eterno e iamos até ao infinito, como aparecíamos no inferno e restava-nos apenas o mito. ficava contigo para sempre, seriamos imortais. mas tudo fluiu-se da mente, e nunca voltámos a ser iguais. foste o meu anjo negro, o meu templo. caímos no integro, perde-mo-nos no tempo. voltei ao ponto de partida, voltei ao chão. deixaste-me por aí perdida, e levas-te o meu coração. agora voltas e vens pedir o perdão e a minha compreensão. digo-te um não, e tu entras em fase de negação. depois de tudo o que de mim levaste, depois de tudo o que provocaste.. que querias? não vou voltar.. um dia, não são dias. posso ter saudades, posso procurar por ti por todas as cidades, mas apenas para ver um sorriso, para deixar um aviso. da próxima vez que decidires ser um anjo disfarçado de demónio, escreve antes um bilhete em anónimo.
(CAROLINA LIMA)

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