quinta-feira, 5 de abril de 2012


eu sempre fui forte o suficiente para meter todo o meu orgulho para trás, e deixar com que tu voltasses. tu voltaste, fizeste juras, prometeste-me mil aventuras. e agora onde estás? não foram uma, nem duas. foram tantas as vezes que recuámos e tentámos fazer com que valesse a pena. dizias sempre '' tudo vale, quando a alma não é pequena'', e agora? partiste e eu estou aqui, estranhando a demora.. eu roubava a lua para ti se fosse preciso, eu pintava o mundo de outra cor só para ver esse sorriso. sabes quantas vezes tive de levantar-me, limpar as lágrimas e fingir que estava bem? não, não sabes. mas digo-te! eu fui forte.. acumulei e criei uma barragem contra tudo. posso não ter tido essa tua sorte.. de sentir num dia, e no outro acordar e decidir ''ah, hoje eu mudo''. mas eu fiquei fiél a mim mesma. resguardei-te do mundo cruel, e folhas.. gastei-te eu uma resma. linhas e linhas escritas, sentimentos depositados nelas. para quê? para depois vires com frases contraditas. onde nada faz sentido, só essas tuas conversas paralelas. só quero ir em frente e trocar esta minha vida, com algo que eu nunca tive. porque desde que decidiste ser o cumulo no mundo e declarar a tua ida, só consigo ver esta paisagem em ponto de declive. sei bem o que é essa sensação de mentira. essa sensação de que por dentro tudo se está destruindo.. sabes? já nada vindo de ti me admira. quiseste ser o dono da razão, e agora eu que me vá reconstituindo. mataste-me por dentro, sabes que sim. ninguém além de ti me rasurou e teve o mesmo efeito que tiveste em mim. perdi? perdemos? o tempo abriu-nos essa hipótese e nós lá cabemos.. os defeitos não falaram mais alto, essa parte não teve voto na matéria. talvez o facto de termos caído em pleno asfalto tenha levado o nosso sentimento à total miséria. eu errei ao confiar demasiado, confesso e admito a falha. mas também nunca fomos um só no momento apropriado, e agora precisas de mim apenas quando bem te calha. não sou boneco nenhum, não ando à tua disposição.. eu expludo, eu grito.. eu faço trinta por uma linha e mesmo assim ainda me iludo. prometeste-me o infinito, e nem à lua me levaste. simplesmente desligaste. interessante é que ainda estou cá, e ainda me importo. importo-me com o que já não há, aquilo que há muito já andava morto... C.L.

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